Passado/Presente

a construção da memória no mundo contemporâneo

Os feriados, a ideologia e a compressão histórica

Posted by Tiago Barbosa Ribeiro em 09-10-2006

1.
A memória colectiva de qualquer acto histórico é um objecto que tende inelutavelmente a degradar-se. Sobretudo quando ele sustenta uma data de ruptura ou de convulsão social. É por isso compreensível que os marcos celebracionistas dessas memórias se estruturem numa oposição ideológica crescentemente domesticada pelas exigências de coesão social, alargando-se a institucionalização de um passado que o passar dos anos fixa entre parêntesis. Em Portugal, isso é particularmente visível nos feriados do 10 de Junho e do 25 de Abril.

2.
Para as gerações que empreenderam o 25 de Abril, Camões está imbuído de uma retórica nacionalista e conservadora que remete menos para os contornos imperialistas e republicanos do período de 1910-1926 do que para o «Dia da Raça» instituído pelo secretariado de propaganda do Estado Novo. Será sem surpresa que durante a guerra colonial seja esse o dia de distinção dos combatentes de um império então – desde sempre? – agónico. Porém, ao contrário do que comummente se pensa, Camões conviveu com leituras próximas dos círculos oposicionistas durante a longa ditadura salazarista: António Sérgio e Jorge de Sena consagrarão como poucos a dimensão «progressista» de um ícone identitário do Portugal asfixiante e circunspecto de Salazar. [mais>>]

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