A experiência chefiada por Nagy acabou lavada em sangue – o de muitos milhares de húngaros e o dele próprio, preso após haver recebido um salvo-conduto e executado na sequência de um julgamento similar ao dos processos de Moscovo –, provocando clivagens dentro do movimento comunista internacional e, principalmente, no interior do universo muito particular dos compagnons de route dos partidos comunistas ocidentais. Jean-Paul Sartre, Edgar Morin, Pierre Emmanuel ou Italo Calvino foram apenas alguns deles. Sartre assume a ruptura falando do horror que passara a sentir pelas iniciativas da «fracção dirigente da burocracia soviética».
No annus mirabilis de 1968, a invasão da Checoslováquia e o termo da Primavera de Praga e da experiência de Dubcek com o seu «socialismo de rosto humano», apesar de menos brutais, definiram essa incapacidade de regeneração por parte dos governos comunistas no poder, determinando um crescente isolamento internacional e a resistência, surda ou efectiva, de uma parte crescente das sociedades que controlavam. A erupção de 1989 terá marcado o termo dessa viagem dolorosa inaugurada em 1956.