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La mémoire, l’histoire, l’oubli (2002), o seu último livro, Paul Ricouer afirmava que «o esquecimento permanece (…) como a inquietante ameaça que se perfila por detrás da fenomenologia da memória e da epistemologia da história». Deve reconhecer-se como perturbante a presente situação de vertigem informativa, a qual tem ampliado até à náusea o processo de rasura ao qual se referia Ricouer. Para Virilio, a dromologia (do grego drómos: acção de correr) tende mesmo a substituir a cronologia pela interferência crescente da velocidade nos processos de comunicação. O carácter impositivo de um certo «instante fugitivo», que corresponde ao fluir acelerado do acontecimento, induz então uma vertigem que afecta a própria compreensão da realidade. Porém, introduzindo nexos explicativos que podem ser criados a partir de relações provocadas na corrente longa que as produziu e as explica, a história emerge como uma das áreas do conhecimento que se encontra em condições de limitar essa perturbação. Pode, assim, funcionar como território de resistência face à vertigem de apagamento do passado induzida pela rapidez. Mas também como tecla de pausa, instrumento destinado a integrar a inevitável velocidade dos acontecimentos num andamento suspenso, reflectido e que, pelo menos provisoriamente, podemos compreender.

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