A fala como fonte
Posted by Miguel Cardina em 29-10-2006
Sob o lema História Oral, História Viva, decorreu no Porto, entre os dias 26 e 28 de Outubro, o I Congresso Internacional de História Oral, organizado pelo Departamento de História da Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Perto de uma centena de participantes assistiram a um leque variado de conferências, centradas nas potencialidades e desafios que se colocam à história oral, entendida não como um qualquer (novo) domínio específico da história, mas uma metodologia de recolha de memórias «vivas» que os historiadores, nomeadamente aqueles que procuram abordar os tempos mais recentes, podem e devem usar na sua construção narrativa.
De acordo com António Montenegro e Regina Guimarães, que orientaram um workshop na última tarde de trabalhos, a conquista da legitimidade epistemológica desta metodologia está associada ao questionamento de uma concepção de história baseada no estabelecimento do «facto» e, de um modo mais geral, à crise do modelo clássico de ciência e das noções inerentes de objectividade, neutralidade, evidência e distanciamento. As concepções construtivistas do conhecimento, chamando a atenção para o papel do sujeito na percepção do real, levaram a que se passasse a entender a história como uma construção de modelos explicativos nos quais o historiador tem necessariamente um papel activo e a considerar a memória, não como um mero depósito de experiências, mas como uma constante recriação de significados a partir daquilo que se viveu no passado. [mais>>]


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