Passado/Presente

a construção da memória no mundo contemporâneo

Anos 80, e o resto

Posted by Tiago Barbosa Ribeiro em 22-11-2006

«Anos 80: Uma Topologia» é um motivo de vulto para visitar o Porto até finais de Março de 2007. Inaugurada há dias no Museu de Arte Contemporânea de Serralves (MACS), esta exposição impressiona desde logo pela sua dimensão e ambição: uma das maiores jamais apresentadas em todo o mundo sobre a arte dos anos 80, com 4.000 m2 de área expositiva e 250 obras de 70 artistas de todo o mundo, incluindo os portugueses Pedro Cabrita Reis, José Pedro Croft, Ana Jotta, Rui Sanches e Julião Sarmento. A exposição é ainda acompanhada por inúmeras mesas-redondas e conferências que procurarão alimentar a discussão, materializando o desafio maior da iniciativa: quais as leituras possíveis para/sobre os anos 80?

Década de tantas perplexidades e inquietações, os anos 80 propiciaram intensas mudanças sociais, culturais e políticas. Para Portugal, esse tempo significou o fim de um período histórico iniciado em 1974 – ou mesmo em 1926 – e empiricamente constitui uma das mais sólidas grelhas de análise para tantos paradoxos e contradições que hoje subsistem na sociedade portuguesa. Esteticamente, porém, a representação da realidade portuguesa é marginal nesta exposição de Serralves. As explicações são várias, com raiz comum num contexto periférico. De qualquer forma, neste particular, os anos 80 portugueses estão sobretudo ancorados na criação musical. A mesma, curiosamente, que vai sendo agora recuperada – com poucos ou nenhuns vestígios de memorabilia – por uma geração nascida precisamente nessa década. Aliás, isso mesmo se dinamizou na primeira noite da exposição, com uma festa alargada a vários bares da cidade do Porto onde a apresentação dos protagonistas da década significou tão só um re/encontro com muitos roteiros e rostos do presente.

A topologia do MACS permite ultrapassar reducionismos e repetições que já se plasmam a uma década tão próxima, num contexto de afirmação cultural ocidental que então se apropria do discurso pós-moderno para dissolver vanguardas e hegemonias simbólicas. Não por acaso, os principais núcleos geográficos da exposição do MACS são Berlim e Nova Iorque. Sob vários olhares epistemológicos, interessa perceber os eixos de transformação que os anos 80 proporcionaram e de que forma eles se afirmaram como um tempo de transição paradigmática entre normas, estruturas e vivências. A abordagem de Serralves, só por si, reconfigura todos eles.

Anos 80: Uma Topologia, 11 Nov 06 – 25 Mar 07, Museu de Arte Contemporânea de Serralves.

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