Por Sandra Guerreiro Dias
O lançamento pela Blue Note da antologia Placebo Years 1971-1974, de Marc Moulin, constitui um notável exercício de revisitação/revisão estética dos finais da década de 1960 e inícios da seguinte. Se tivermos em conta as implicações existentes entre as artes e o seu contexto, amplamente equacionadas e desenvolvidas por autores tão diversos como Comte, Guyau ou Marcuse, não será arriscado afirmar que um exercício de revisão estética é também um movimento de re-observação de determinado momento histórico. Entretanto, se para Marcuse, em A Dimensão Estética, o alcance intersectivo da arte se materializa numa derivação de limites e sentidos produzidos pelo social, então «a lógica interna da obra de arte termina na emergência de outra razão, outra sensibilidade que desafiam a racionalidade e a sensibilidade incorporadas nas instituições sociais determinantes». Pode assim concluir-se que a arte, enquanto formulação estética radicada no seu mandato, além de representar, suporta interpretações do real que, muitas vezes, o problematizam e amplificam, completando, as suas leituras, simulações e figurações. [mais>>]