O marcelismo e a SEDES
Posted by passadopresente em 19-01-2007
Por Tiago Manuel Ribeiro

A selecção do marcelismo como objecto ou contexto de reflexão, ainda que em crescente expansão quantitativa (académica, jornalística), convoca um conjunto de problemas analíticos que desafiam as perspectivas mais acabadas sobre os fundamentos e coerências do autoritarismo estado-novista. Por um lado, o carácter residual a que parece votado subtrai-lhe a autonomia sociopolítica e redu-lo ao prolongamento artificioso de uma ordem política inalterada; por outro, leituras mais lineares do declínio do Estado autoritário, para as quais não haveria futuro que não redundasse em revolução, impediram um exame mais aturado deste período histórico, negligenciando ou desvalorizando as transformações políticas, económicas e culturais que nele se processaram.
A expectativa depositada no arranque político de Caetano, partindo das elites económicas de vocação europeísta e chegando às forças políticas progressistas, ganhou corpo no nascimento de uma organização política – a SEDES – que serviria a negociação de Caetano com os sectores mais rígidos do regime e, em simultâneo, abriria uma nova brecha política com rosto institucional, encorajadora do seu anunciado reformismo, traduzido inclusivamente na renomeação publicitária do regime: Estado Social. [mais>>]


Diogo said
Gostei muito, Tiago.
Um abraço