Passado/Presente

a construção da memória no mundo contemporâneo

Clássicos para todos

Posted by passadopresente em 11-02-2007

Por Adriana Bebiano

GoldhillDentro do fenómeno recente do interesse popular pelo passado, merece particular destaque a produção que tem por matéria a Antiguidade Clássica. Toma diversas formas: desde romances e filmes que popularizam e reflectem versões estereotipadas das culturas clássicas, passando pela produção teatral de versões – por vezes, reescritas – dos dramas clássicos, pela publicação de tradução de poesia e mesmo pelo ensaio. Este representa talvez a vertente mais interessante do fenómeno, uma vez que, ao contrário da narrativa, da poesia ou do teatro, o ensaio tem por público-alvo, em regra, o círculo restrito dos especialistas de uma área específica do saber. Porém agora acontece que podemos encontrar ensaios que, sendo da autoria de académicos especialistas, são de leitura acessível aos leigos. Entre as publicações portuguesas recentes realço títulos como Grécia Revisitada (2004), de Frederico Lourenço, ou Caminhos do Amor em Roma (2006), de Carlos Ascenso André.

Amor, Sexo e Tragédia. A Contemporaneidade do Classicismo (2006) é justamente um livro deste tipo. Trata-se da tradução portuguesa de Love, Sex & Tragedy (2004), da autoria de Simon Goldhill, classicista de Cambridge. A modulação que o subtítulo em português introduz revela-se mais adequada ao conteúdo do que o título inglês, porventura sedutor para um público mais amplo. O que Goldhill pretende demonstrar é precisamente a contemporaneidade das culturas clássicas e, mais ainda, a importância do (rigoroso) conhecimento dessas culturas para a compreensão da nossa própria actualidade, em questões como o amor, o sexo ou a tragédia – prometidos no título – mas também a política, a guerra, a língua e práticas culturais diversas. [mais>>]

2 Respostas to “Clássicos para todos”

  1. cfreitas said

    O facto que me intriga: Estarão as referidas “não elites” preocupadas com este facto? Terão “mãos” para abarcar que esse “conhecimento é demasiado sério para ser deixado exclusivamente nas mãos das elites” como afirma?

  2. Rodrigo said

    Grande Miguel. Estas em forma!
    Um abraço. Estou em Roma este semestre depois vamos ao Atenas beber um fino.

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