Passado/Presente

a construção da memória no mundo contemporâneo

Cinzento esconjurado

Posted by Miguel Cardina em 27-02-2007

Se por outra razão não fosse, O Saudoso Tempo do Fascismo, de Hélder Costa, valeria pela capa: uma foto do gigante de Manjacaze e do anão de Arcozelo – respectivamente, o homem mais alto e mais baixo do mundo, segundo certas edições do Guiness Book of Records – no velório de Salazar. Lado a lado, em pose tensa e respeitosa, estes filhos que a nação passeou como aberrações, vêm dar o último adeus ao ditador. Por detrás da luz central – a vela acesa de um círio – descobrem-se, perfiladas, as forças (ainda) vivas: um chapéu da polícia militar, um lenço da Mocidade Portuguesa, os botões reluzentes de uma farda composta.

O livro é, obviamente, mais do que o seu delicioso embrulho. Escrito naquele tom descontraído de quem domina a velha arte de contar histórias, O Saudoso Tempo do Fascismo é uma colectânea de relatos situados na fronteira entre o memorialístico, o pedagógico e o humorístico. Recortes do tempo que falam dos bailes e do «arame farpado», da emancipação das mulheres, das críticas à praxe coimbrã, das arrogâncias do poder e do seu escarnecimento, das experiências teatrais, da contestação à guerra colonial, das peripécias que rodearam um inevitável «salto» para Paris. Histórias contadas com uma deliciosa dose de humor e ironia. [mais>>]

Uma resposta to “Cinzento esconjurado”

  1. a capa do livro de manuel da silva ramos se não é a mesma é muito semelhante

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