Passado/Presente

a construção da memória no mundo contemporâneo

Sobre um abaixo-assinado

Posted by Rui Bebiano em 12-03-2007

A declaração pública de alguns professores e investigadores universitários, sob a forma de um abaixo-assinado, a propósito do concurso televisivo Grandes Portugueses, não concita a unanimidade da comunidade dos historiadores. Apesar de simpatizar com algumas das suas preocupações essenciais, parecem-me discutíveis o formato que ela tomou e o tom em que foi redigida (daí, também, o não a ter assinado). Concordo por inteiro, aliás, com a posição crítica expressa a propósito por José Medeiros Ferreira. A qual pode ser lida aqui.

4 Respostas to “Sobre um abaixo-assinado”

  1. rm said

    E não deixa de ser curioso que os historiadores não tenham sentido este impulso no início do programa, mas só agora, não lhe parece?

  2. É compreensível que ele tenha surgido apenas quando as pessoas se aperceberam da dimensão do fenómeno. Nisso não vejo mal algum.

  3. rm said

    Pois a mim parece-me que o problema que despertou a atenção dos historiadores foi a bipolarização nas duas figuras mais destacadas no concurso,e, muito provalemente o destaque de Salazar.

    Se estivesse á frente D. AFonso Henriques, Camões ou Pessoa, suspeito fortemente que os historiadores não se manifestariam.

    Mas devo dizer que a mim, tanto se me dá quem ganha porque para mim trata-se de um concurso televisivo, igual a tanto concurso de péssima qualidade e de impacto em minha opinião altamente negativo nos comportamentos e no estabelecimento de prioridades, principalmente dos menos preparados, e que não despertam comunicados de ninguém (quando deviam despertar).

    E quanto à potencial vitória de Salazar também me é indiferente porque, felizmente, ele não volta. E se aparecer alguma coisa parecida, estamos cá para lhes tratar da saúde.

  4. Pedro said

    Há aqui uma coisa importante: a representatividade deste “inquérito” é nula, e houve certamente manipulação dos resultados. Já na versão britânica isso aconteceu, e chegou à final um reitor duma faculdade qualquer de que ninguém tinha ouvido falar. Aqui aconteceram coisas parecidas, certamente — aliás uma das personalidades mais votadas a princípio era um tipo qualquer ligada ao Colégio Militar, e isso só pode ter acontecido por iniciativa de alunos e/ou antigos alunos da instituição.

    Quanto ao Salazar, quem garante que não aconteceu uma coisa parecida. Eu próprio e várias pessoas que conheço fomos vítimas duma brincadeira estúpida e votámos Salazar sem percebermos. O argumento do autor da brincadeira (um docente universitário na área das ciências sociais) era que o programa era uma estupidez e, que elegendo o Salazar, isso teria pelo menos o mérito de pôr toda a gente a discutir.

    E a posição do Cunhal, ninguém acha estranho? Acreditam mesmo que há uma percentagem enorme de portugueses que se revêm no secretário-geral do PCP? Não será mais plausível ter havido uma grande percentagem de simpatizantes do PCP que votaram nele?

    Aristides Sousa Mendes? Alguém acredita que tantos portugueses saibam quem foi?

    Não dêem a este fenómeno uma dimensão que ele não tem. Muito provavelmente estes resultados querem apenas dizer que houve movimentos mais ou menos organizados para impôr estas três personalidades. E deve querer dizer isso. Mais nada.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

 
%d bloggers like this: