Cão Andaluz
Posted by passadopresente em 15-03-2007
Por Maria Manuela Cruzeiro
O Cão Andaluz, título estranho, roubado à dupla sagrada do surrealismo Buñuel/Dali, é, como os dois anteriores livros de Jorge Seabra, um regresso ao passado com constantes projecções no presente. Uma viagem em voo rasante, com altos e baixos, avanços e recuos, em que a proximidade do olhar se paga com a dúvida e a suspeita, por vezes a surpresa e o desconcerto, de ver o que se não tinha visto, sem que isso resolva nada do que ficou por resolver.
O passado, pois – continuando no domínio da navegação aérea – como uma espécie de caixa negra da memória, o centro de todos os centros, enigma ou oráculo cujas falas, sendo as mesmas, são sempre diferentes, porque diferentes são as perguntas que o tempo lhe vai fazendo.
As primeiras páginas do livro advertem-nos quanto ao grau de perigosidade e também de ambiguidade desse desafio. Os gestos, os rostos e as histórias que a memória resgata do esquecimento, trazem o calor de um olhar íntimo e solidário, mas também o verde frio da angústia e da dúvida insidiosa. [mais>>]
Uma leitura proposta durante a apresentação pública do romance, ocorrida em Coimbra no último dia 10 de Março.


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