Passado/Presente

a construção da memória no mundo contemporâneo

O Labirinto do Fauno

Posted by Miguel Cardina em 17-03-2007

Em 1944, enquanto Franco consolida a sua vitória sem nenhuma complacência para com os vencidos, permanecem fogachos da resistência republicana em algumas zonas de Espanha. Numa delas – uma montanha a norte de Navarra – Ofélia acompanha a mãe no seu encontro com o odioso capitão franquista com quem recentemente casara e de quem espera um filho. Partindo deste cenário concreto, Guillermo del Toro, constrói o premiado O Labirinto do Fauno. Depois de já ter abordado a temática em «A Espinha do Diabo» (2001), o realizador mexicano volta novamente a tomar como pano de fundo a curva da década de 1930 para 1940, esse tempo propício, nas suas palavras, «para falar de monstros e de opções». Um tempo paradoxal, onde a urgência das escolhas conflui com a força avassaladora das circunstâncias, como se as acções humanas tivessem constantemente de se confrontar com um guião pré-estabelecido. É contra essa «ditadura do real» que a jovem Ofélia se insurge inconscientemente, mostrando que a ilusão que alimenta as fábulas é a mesma que mantém uma rapariga vigilante por entre a sombra dos dias. Relato híbrido – feito de seres mitológicos e dramas realistas que lembram por vezes o universo de Tim Burton ou o último (e algo desastrado) filme de Night Shyamalan – «O Labirinto do Fauno» é também uma poderosa alegoria sobre o franquismo. Uma fábula contra todos os sistemas que absolvem a brutalidade e sublimam a obediência.

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