Serão diversos os motivos invocados por diversas instituições autárquicas, ou por alguns grupos de cidadãos, para construírem os pequenos núcleos museológicos que se têm multiplicado pelo país. Em alguns dos casos, reconhece-se um genuíno interesse pela conservação de determinados sinais do passado, ou de objectos de natureza artística, e pela sua transformação em sinais da afirmação identitária de alguns localismos. Em outros, mais negativamente, detecta-se o desejo de criar algo artificialmente um pólo de atracção turística ou de justificar rubricas orçamentais. Os resultados serão desiguais e não se devem medir apenas pela dimensão da cada um desses espaços: mais importante será aferir do seu efectivo interesse, da sua coerência e da sua capacidade de conservação e de catalogação. Todos nós entrámos já em alguns que não passam de simples «amontoados» de «coisas antigas», dispostas de forma caótica e contendo referências inexactas (quando não inexistentes). Outros possuem um bom acervo, mas não dispõem de técnicos e de funcionários à altura. Um caso curioso, pela originalidade temática, é o do Museu do Contrabando e da Emigração Clandestina, inaugurado ontem em Melgaço. Sem hipótese ainda de o visitar e, por isso, de poder formular uma opinião, aqui fica para já a referência.
Contrabando e emigração
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