Passado/Presente

a construção da memória no mundo contemporâneo

Archive for Julho, 2007

Bibliografia sobre o «canto de intervenção»

Posted by Miguel Cardina em 20-07-2007

Já se encontra disponível, na secção bibliografias, uma lista de obras sobre o canto e os cantores de intervenção. Aceitam-se sugestões e complementos.

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Foi Assim para Zita Seabra

Posted by Rui Bebiano em 15-07-2007

Perante Foi Assim, o livro autobiográfico de Zita Seabra agora publicado pela Aletheia, torna-se difícil sustentar um registo de equidade crítica, quando a maior parte daquilo que lemos insinua, pelo seu conteúdo temático e pelo próprio tom da escrita, uma rejeição que nem sempre é boa conselheira. Como seria de esperar, a recusa apriorística da possibilidade de ler o livro instalou-se, de imediato, entre pessoas mais ou menos próximas do Partido Comunista ou dos sectores situados à esquerda do PS. E muitas daquelas que o leram, fizeram-no sobretudo à procura das imprecisões ou dos juízos que permitissem depreciar o que a autora escreveu. Acontece, porém, que contando-me entre os portugueses que se distanciaram no passado e se distanciam hoje das suas posições públicas, me interesso particularmente pela história recente do nosso país. Tenho, por isso, a obrigação de procurar compreender, sem preconceitos e com algum esforço de análise, o interesse prático deste volume. Foi aquilo que procurei fazer no artigo crítico que pode ser lido no blogue A Terceira Noite>>.

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Uma futura revista sobre os «anos sessenta»

Posted by Miguel Cardina em 13-07-2007

Os «anos sessenta» têm sido alvo de uma crescente atenção por parte de investigadores e académicos das mais variadas áreas do saber. Assim, e confirmando essa tendência, a Routledge irá publicar, a partir de 2008, The Sixties, a journal of History, Politics and Culture, revista inteiramente dedicada ao assunto. Editada por Jeremy Varon, Michael S. Foley e John McMillian, a futura publicação procurará abordar os «longos anos sessenta» (1954-1975) numa perspectiva comparativa e transnacional. Para os interessados, aqui fica a informação necessária para o envio de propostas de artigo, aceites até 1 de Outubro de 2007.

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O canto de intervenção no combate ao Estado Novo

Posted by Miguel Cardina em 10-07-2007

José Mário BrancoNo caleidoscópio dos oposicionismos político-culturais que procuraram perturbar a ideologia e a prática do Estado Novo, o chamado «canto de intervenção» assumiu uma visibilidade que o singulariza. Configurado nos inícios da década de sessenta, através de trabalhos como os de José Afonso, Adriano Correia de Oliveira e Luís Cília, este domínio particular da música portuguesa sofreu uma importante renovação na entrada do decénio seguinte, patente na edição, no Outono de 1971, de obras como Cantigas do Maio (José Afonso), Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades (José Mário Branco), Romance de um dia na estrada (Sérgio Godinho) e Gente de Aqui e de Agora (Adriano Correia de Oliveira). Nas linhas que se seguem traça-se impressivamente o percurso deste movimento nos anos finais da ditadura, deixando de lado a abordagem do papel do género musical no período imediatamente posterior ao 25 de Abril de 1974, bem como as mais recentes reformulações que sobre ele ou sobre a sua herança se foram e vão fazendo. [continua aqui>>]

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Permitido Proibir

Posted by Miguel Cardina em 06-07-2007

ProibidoTemos assistido nos últimos tempos a reiteradas preocupações com uma certa amnésia social relativamente ao nosso passado recente. Estas queixas vieram de novo ao de cima com a vitória de Salazar no concurso televisivo Grandes Portugueses, ocasião que serviu para lastimar publicamente o débil conhecimento que as gerações mais jovens têm do Estado Novo. Uma das razões para esta carência de memória – outras existirão, porventura mais importantes – está no modo como o período tem sido escrito e descrito. Não me refiro ao facto das narrativas que dispomos serem em regra geral «empenhadas», uma vez que o conhecimento do passado se alimenta tanto de boas memórias como de trabalhos historiográficos rigorosos. Refiro-me, isso sim, à quase ausência de obras que consigam revelar, com informalidade e até mesmo humor, os traços marcantes da época, tornando-a assim mais próxima e compreensível para quem dela não teve experiência.

Isto por si só já seria motivo suficiente para saudar Proibido!, de António Costa Santos, texto no qual o autor aborda, com um invejável sentido do humor, a sanha proibitiva do regime salazar-marcelista: da censura aos livros à vigilância no vestuário, da interdição da Coca-Cola à impossibilidade da mulher viajar sem autorização, da necessidade de licença para usar isqueiro até à proibição de andar descalço, da repressão aos beijos públicos até à obstrução do casamento às enfermeiras. Tudo narrado de maneira ligeira e concisa, com explicações pontuais sobre a natureza e o contexto de algumas destas proibições e relatos divertidos sobre esse «tempo caricaturo, mas sem graça» (p.15), no qual o «Direito teve muito poucas áreas de indiferença, metendo o nariz em tudo, sem balança, nem venda» (p.11). O grafismo não é dos piores da Guerra & Paz, ainda que as imagens no interior sejam algo repetitivas e abundantes. A prosa, felizmente, sai ilesa.

António Costa Santos (2007), Proibido!. Lisboa: Guerra & Paz. 193 pp. [ISBN 978-989-8014-59-7]

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